Fósseis de 69 espécies são descobertos na Austrália

Fósseis de 69 espécies são descobertos na Austrália
  
 
20070125114810oz3203.jpgFoi encontrado um esqueleto completo do leão marsupial (Foto: Clay Bryce, Western Australian Museum)
Cientistas encontraram em cavernas na planície de Nullarbor, no sul da Austrália, uma coleção de fósseis de animais que viveram entre 400 mil e 800 mil anos atrás.
Entre eles estão fósseis de 23 espécies de cangurus - 8 delas, totalmente novas para a ciência.

Os pesquisadores disseram à revista científica Nature que encontraram ainda um fóssil completo de Thylacoleo carnifex, um leão marsupial extinto.
Aparentemente, os animais caíram em buracos que se abriram na planície e depois fecharam com o passar dos milênios.

A maioria deles morreu instantaneamente, mas outros chegaram a sobreviver a uma queda de 20 metros e tentaram voltar à superfície caminhando por rochas até pereceram de fome e sede ou por causa dos ferimentos sofridos.

O chefe do estudo, Gavin Prideaux, disse à Nature que o estado de conservação dos fósseis é impressionante.

No total, 69 espécies de vertebrados foram identificadas em três áreas da caverna que os cientistas passaram de chamar Cavernas Thylacoleo.

Há mamíferos, aves e répteis. Os cangurus variam de animais do tamanho de um rato a espécies de até 3 metros.

Solo árido

Pesquisas indicam que o ambiente em Nullarbor era muito semelhante ao de hoje - uma região de solo árido com pouco mais de 200 mm de chuva por ano.

O que mudou significativamente foi a vegetação.

Alguns cientistas acreditam que o principal fator para a extinção de animais de grande porte que habitavam a região foram mudanças climáticas - com grandes oscilações em temperatura e precipitação.

Mas há uma outra teoria para o fenômeno, ligada à presença humana. Diretamente - por caça, ou indiretamente - por transformação do ambiente através de queimadas, os seres humanos podem ter provocado a extinção desses animais de grande porte.

A visão dos pesquisadores que descobriram os fósseis se encaixa mais nesta segunda hipótese, rejeitando a primeira, de clima.

“Como estes animais eram bem adaptados ao clima seco, dizer que o clima acabou com eles não é adequado. Estes animais sobreviveram o pior que a natureza podia lançar contra eles”, disse à BBC Bert Roberts, co-autor do projeto.

“Se você examinar os últimos quatro ou cinco ciclos glaciais, onde idades do gelo vem e vão, os animais certamente sofreram mas não se extinguiram - eles sofreram mas sobreviveram”, afirmou o cientista, da Universidade de Wollongong.
 

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