Raias e tubarões, novidades entre as espécies ameaçadas
Raias e tubarões, novidades entre as espécies ameaçadas
Eles são maioria entre as que pioraram de situação ou aparecem pela primeira vez na ‘Lista Vermelha’
Herton Escobar escreve para “O Estado de SP”:
Raias e tubarões são a principal novidade na lista de espécies ameaçadas do Brasil divulgada ontem pela União Mundial para a Natureza (IUCN).
Das 25 espécies que pioraram de categoria ou entraram na relação pela primeira vez, 17 pertencem ao grupo.
A Lista Vermelha completa inclui quase 4 mil espécies de fauna e flora avaliadas do Brasil, das quais 721 estão nas três principais categorias de ameaça: vulnerável, em perigo e criticamente em perigo.
Entre as que correm maior risco de extinção está o tubarão-quati (Carcharhinus signatus), uma espécie adaptada a águas turvas e que só existe no estuário do Rio Amazonas.
“Se ela for extinta no Brasil, será extinta no mundo”, diz o biólogo Flávio Lima, do Museu de Zoologia da USP.
Vários outros elasmobrânquios (raias e tubarões) são peixes oceânicos migratórios, que não residem apenas nas águas brasileiras, mas que, ao transitarem por aqui, entram para a lista nacional de espécies ameaçadas.
É o caso do tubarão galha-branca (Carcharhinus longimanus), considerado vulnerável, e da raia jamanta (Manta birostris), que entrou para a categoria “quase ameaçada”.
“A IUCN se preocupa com a situação global da espécie e não necessariamente com a situação regional de cada país”, explica o analista de biodiversidade da organização Conservação Internacional, Adriano Paglia.
A Lista Vermelha é considerada uma das principais ferramentas de avaliação do impacto humano sobre a biodiversidade do planeta. Criada em 1948, a IUCN conta com a participação de 10 mil cientistas de 181 países.
A nova avaliação inclui 16.119 espécies nas categorias de ameaça, 530 a mais do que na última lista, de 2004.
Outras 784 espécies foram declaradas completamente extintas (11 delas no Brasil) e 65, extintas na natureza (2 no Brasil), o que significa que existem apenas em cativeiro. Ao todo, no mundo, foram avaliadas 40.177 espécies.
A lista das ameaçadas do Brasil aumentou em 24 espécies (de 697 para 721). O maior aumento foi entre os peixes, de 42 para 58. Um dos gigantes ameaçados é o mero (Epinephelus itajara), que pode passar de 2 metros e pesar mais de 350 quilos.
As mudanças não refletem apenas uma queda populacional recente das espécies, mas também aumento do conhecimento e aprimoramento das avaliações de um ano para outro.
Para o biólogo marinho Marcelo Szpilman, diretor do Projeto Tubarões no Brasil, a surpresa foi o cação-anjo (Squatina argentina), que passou de “dados insuficientes” para “em perigo”. “Infelizmente essa é a situação da maioria das espécies”, diz. “As coisas só estão piorando.”
Entre os mamíferos, a boa notícia ficou com o tamanduá-bandeira (Myrmecophag tridactyla), que saiu da categoria de vulnerável para quase ameaçado.
Já na flora, a araucária (Araucaria angustifolia) fez o caminho inverso: passou de vulnerável a criticamente ameaçada.
Pesquisadores estimam que seu bioma esteja reduzido a menos de 1% da cobertura original. “A situação da espécie é realmente catastrófica”, afirma Paglia.
Controvérsia
Apesar da fama, a Lista Vermelha não está isenta de polêmicas. A maior delas envolve os anfíbios brasileiros: muitas espécies consideradas como “dados insuficientes” pelos cientistas brasileiros já foram classificadas como ameaçadas pela IUCN.
No site da organização, todas as tabelas trazem uma grande observação de que não houve tempo para chegar a um consenso com os especialistas brasileiros.
A Lista Vermelha tem 28 anfíbios, ante 16 da lista nacional do Ibama.
Expedição acha novos organismos no fundo do mar
Censo marinho cataloga 500 tipos de plâncton no Oceano Atlântico.
A diversidade de vida no Oceano Atlântico começa a ser melhor compreendida após a última expedição do Censo da Vida Marinha, que vasculhou o fundo do mar em busca de exemplares de plâncton.
Plâncton são microorganismos que formam a base do ecossistema marinho, importantes na alimentação de animais e no seqüestro de carbono.
A expedição crê ter achado espécies desconhecidas de zooplâncton – de criaturas que lembram gambás a caracóis voadores e medusas pulsantes.
“Catalogamos 500 espécies e conseguimos as seqüências de DNA de 220″, disse Ann Bucklin, diretora do Departamento de Ciências Marinhas da Universidade de Connecticut (EUA).
Os estudos concentram-se no quilômetro superficial de massa marinha, ou um quarto do total. O Censo de Vida Marinha deve ser concluído em 2010, quando se espera obter o DNA de 7 mil espécies.
(O Estado de SP, 5/5)

